Minhas memórias masoquistas brincam
Minhas memórias brincam.
Tentam fazer com que eu saia do presente é vá ao ontem.
Querem descumprir o primeiro e insistente passo da lição de que temos que nos fazer inteiros no instante.
Estou perdida nesse tempo-espaço. Desejo o ontem e o futuro. Quero me encontrar com você outra vez.
Agora, duas mulheres me habitam. Talvez um clone seu. Tem parte de mim, mas é uma outra alma. Ontem foi o dia do seu nascimento, foi o dia em que se materializou em carne. Passou um tempo sendo gerada em mim. Ontem, finalmente nasceu.
Tão nova essa personalidade. Atenta, tateia tudo e coloca na boca. Ainda equilibra-se em seus passos. Está fascinada com os sabores, cheiros e imagens desse mundo que sozinha está criando.
Mas para constantemente com flashes das lembranças da hora do seu nascimento. Ela sente umidade de outro ser em sua alma. Um ser carinhoso e gentil. Um pai talvez, um irmão ou um amante de alma. Ela não sabe. Mas sente espasmos contínuos. Fica apertando as pernas o tempo todo, como procurando algo que devia tá lá. Ela só sente um pulsar latejante continuo e não sabe ao certo o porquê.
Lamenta ter tido pouco tempo com o seu co-criador. Queria ter passado noite a dentro, na tentativa de saciar sua alma com a dele.
Tem muitas perguntas, porque a medida que o conhece, quer conhece-lo ainda mais.
Movida pelo entusiasmo próprio dos jovens, já pensa até em ser sua aluna e quem sabe superar o mestre. (Tão bobinha! Pensa que é fácil viver tantas eras em uma vida só).
Discípula na arte de ser criativa e criadora. Na arte se ser única e múltipla. Ser ímpar em cada singularidade. Deixando cada uma das personas existirem desassociadas, mesmo que no fundo haja uma que controle todas as outras.
Sente que tem pouco tempo pra aprender muita coisa. Mas
se acha muito esperta e aprende rápido.
Crente sussurra seu nome baixinho na certeza que soará audível ao seu coração.
Crente sussurra seu nome baixinho na certeza que soará audível ao seu coração.
Quanto a mim, aqui de fora, só a observo e torço para que ela torne-se deusa da sua existência.

Comentários
Postar um comentário